Quando a História grita: as lições de Bonhoeffer para o Brasil de hoje
* Por Diego Obal

* Por Diego Obal
Ontem à noite tive a oportunidade de assistir ao filme A Redenção — A História Real de Bonhoeffer.
O filme conta a trajetória do pastor e teólogo Dietrich Bonhoeffer, que enfrentou o regime nazista na Alemanha. Bonhoeffer foi um dos poucos que tiveram coragem de se opor publicamente a Hitler, denunciando a manipulação do cristianismo e a perseguição ao povo judeu. Mesmo diante da prisão, da censura e da ameaça constante, ele permaneceu firme em sua fé e princípios, pagando o preço com a própria vida. Uma história de coragem moral, resistência e compromisso com a verdade. Aliás, recomendo o filme.
Essa história me fez refletir sobre o quanto o passado nos alerta e, infelizmente, o quanto vemos semelhanças preocupantes entre o início do regime nazista e o que estamos vivendo hoje no Brasil.
No início do nazismo, o governo controlava a imprensa, a educação, a cultura e até a religião. Hoje, vemos censura imposta por decisões do STF e TSE, perfis de jornalistas, políticos e influenciadores derrubados (como Monark, Allan dos Santos e Nikolas Ferreira, temporariamente), e perseguição a veículos de mídia independentes como Jovem Pan e Brasil Paralelo, apenas por divergirem da narrativa oficial.
No regime nazista, opositores eram presos, silenciados ou eliminados. Hoje, manifestantes do 08/01 — muitos sem participação em vandalismo — seguem presos por meses sem julgamento, tratados como terroristas, enquanto criminosos comuns gozam de liberdade. O caso do deputado Daniel Silveira, condenado e preso por palavras, mesmo após indulto presidencial, mostra até onde pode chegar o autoritarismo.
Hitler tentou moldar a fé cristã à ideologia estatal, eliminando trechos da Bíblia. Hoje, líderes religiosos como o Bispo Fábio Souza e o Pastor Silas Malafaia sofrem processos e ataques por expressarem valores bíblicos e criticarem arbitrariedades. Em escolas e instituições públicas, manifestações de fé cristã são cada vez mais restringidas, sob o uso distorcido do conceito de estado laico.
No nazismo, o nacionalismo foi usado para justificar opressão e dominação. Aqui, manifestações pacíficas com bandeiras do Brasil, camisetas da Seleção e cantos do hino nacional são rotuladas como atos antidemocráticos. Pessoas foram presas apenas por demonstrarem patriotismo.
Por fim, a máquina de propaganda nazista criava a verdade oficial, silenciando todo contraditório. No Brasil, jornalistas e parlamentares, como Carla Zambelli e Zé Trovão, enfrentam investigações e processos por expressarem opiniões. O avanço do PL 2630 busca legalizar o controle do pensamento, entregando ao Estado o poder de decidir o que o cidadão pode ou não ouvir, dizer e acreditar.
O filme A Redenção — A História Real de Bonhoeffer mostra que há um preço a ser pago por resistir ao autoritarismo, mas também ensina que silenciar diante do mal é se tornar cúmplice dele.
E eu pergunto: vamos assistir à história se repetir de braços cruzados ou teremos a coragem de resistir enquanto ainda há tempo?

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